As Crônicas dos Kane RPG
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Mensagem por Leah Goldwyn em Sex Dez 19, 2014 9:25 pm

I - Minha professora de matemática é sinistra


– Leah, acorda! Vai se atrasar! – ouvi meu pai berrar no andar debaixo, simplesmente ignorei e me virei na cama, mas foi só questão de tempo até sentir cócegas em minhas costas.

– Saia daqui, Joseph! – berrei, estapeando-o.

Joseph Newton era meu primo, somente cinco meses mais velho que eu, portanto ele tinha quatorze anos, enquanto eu tinha treze. Tinha cabelos castanho-escuros, pele morena clara, olhos castanho-claros e era bonito, embora eu preferisse morrer a admitir isso à ele. Joe morava na mesma casa que eu, já que meus tios, Nina e Phill, tiveram que ir à Espanha à negócios e meu primo se recusou a ir.

Joe saiu do quarto.

Sentei-me e suspirei, era meu primeiro dia de aula em uma nova escola... no meio do primeiro semestre. Maravilha, não? Sinta a minha ironia. A verdade era que eu já estava acostumada a estar sempre mudando de escola, já que eu era sempre expulsa por indisciplina e confusões ou tinha que mudar até por questões de aprendizagem, já que sofria com TDAH e dislexia. Já acabavam as opções de colégios que aceitavam pessoas tão “perfeitas” quanto eu.
Eu sempre fui bastante inteligente, chegava a durar mais em escolas por pena dos diretores, e os professores também tinham pena de mim, pena por eu ter um grande potencial, mas vários déficits, inclusive alguns ataques de raiva, que atrapalhavam meu desempenho.

Ah, já ia esquecendo de me apresentar. Meu nome é Leah Marie Goldwyn, tenho treze anos e moro no leste do Brooklyn, Nova York, com meu pai Thomas e meu primo Joe. Não sou uma típica garota nova-iorquina, também porque nasci em Santa Monica, Califórnia. Preferia passar a tarde enfornada dentro de casa do que nas descoladas lojas de NY, até porque sempre que eu saía de casa sozinha, algo estranho acontecia. É, eu sou tipo o “carma” da cidade. Também tenho um pavor insano por aranhas, com frequência tenho pesadelos, se bem que conforme os anos passavam, os pesadelos iam sumindo.

Meu físico não é nada típico de uma californiana. Sou alta, magra, meus cabelos são negros, caindo em camadas repicadas misturadas a algumas mechas roxas, meus olhos eram azuis escuros, em contraste com minha pele muito pálida, como se eu passasse dias sem ver o sol.

Tomei banho, vesti uma calça jeans rasgada nos joelhos, moletom do Nirvana e calcei meus coturnos. Contornei meus olhos, que demonstravam puro tédio, com uma maquiagem preta e desci os degraus da escada, sem produzir sequer um ruído. Eu tinha uma habilidade estranha de ser silenciosa, mesmo calçando coturnos, daria até para ser contratada por uma agência de espionagem ou saquear um banco.

Assim que servi café numa xícara, finalmente fazendo um som, meu pai deu um pulo à minha frente, de costas para mim. Ele se virou, pálido.

– Garota... Como consegue ser tão silenciosa? – perguntou, dei de ombros.

Papai vestia uma bermuda de surf, camiseta cinza e chinelos, lia um jornal e com frequência ajeitava os óculos.

Ele era um homem extremamente inteligente, compreendia a maioria das ciências, especialmente egiptologia e história geral. Como trabalhava de historiador, muitas vezes viajava à trabalho para lugares como a Espanha, Inglaterra, México e principalmente o Egito. Meu tio Phillipp era arqueólogo, assim como papai, viajava sempre, muitas vezes meu pai completava o seu trabalho, dando uma história aos artefatos que tio Phill encontrava.

Papai foi até seu quarto vestir a roupa de trabalho, desceu quando eu já havia terminado de tomar o café da manhã, vestindo calça preta, blusa cinza sob jaqueta de couro preto e calçando mocassins. Sua mochila já estava pendurada no ombro. Ela pegou a chave de seu Ford Kuga, beijou minha testa e saiu.

Peguei minha mochila, pendurando-a no ombro, e caminhei até a sala de estar onde Joe estava, sentado no sofá, concentrado em seu celular enquanto a TV reproduzia um jornal sobre vida rural.

– Vamos? – disse, empurrando seu ombro.

Joe ergueu o olhar e assentiu, jogando o telefone no bolso. Levantou-se, pegou sua mochila e me acompanhou até o lado de fora da casa, tranquei a porta, levando a chave comigo. Caminhamos até nossas escolas, a de Joe ficava à quatro quarteirões da minha, já que eu, mais uma vez, havia mudado de escola.

Parei em frente à um prédio vermelho de aparência simpática, no mínimo vinte metros de altura, janelas compridas, com um ar um tanto executivo, tinha uma placa escrita "Berkeley Carroll".

Subi os degraus e entrei na escola, ignorando os olhares que se dirigiam à mim nos corredores.

Peguei o papel que meu pai havia me dito para entregar ao diretor e comecei à vagar pelos corredores, à procura da diretoria. Eu estava distraída, até que me esbarrei em um garoto que andava olhando para trás, apertando um bracelete com desenhos de olhos azuis, ele parecia nervoso.
Tinha cabelo cor de areia e olhos verde-esmeralda, sua pele era levemente bronzeada e ele era bem bonito.

– Hã, desculpe. – murmurou, peguei o bracelete, que havia ido ao chão quando nos esbarramos, e o entreguei.

– Tudo bem... Você estava distraído e eu também.

– É que, hã, você vai achar que sou paranoico, mas parece que a professora de matemática está me perseguindo. – disse ele, com um sorriso torto e nervoso.

– Normal. – eu disse, dando de ombros. Na verdade, dependendo do sentido, aquilo só era normal para mim, o que de fato me deixou curiosa à respeito do garoto.

– Ei, sou Dylan. Dylan Bulfinch – disse ele, estendendo a mão, eu a peguei em um cumprimento.

– Leah Goldwyn – eu disse.

– Você é nova aqui? – perguntou ele, eu assenti.

Ele deve ter percebido meu tédio ao responder, porque se apressou em dizer:

– Também não tem muito tempo que estudo aqui, mudo muito de escolas – disse ele, eu sorri de canto.

Eu geralmente não fazia amizades, mas sabia que quando as pessoas apareciam “do nada”, sendo tão esquisitas quanto eu, assim como era Dylan, poderia funcionar.

– Ei, Dylan, pode me ajudar à levar isto aqui para a sala de Artes e... – começou uma garota, aproximando-se de Dylan com caixas em mãos. Ela era bem bonita, e extremamente parecida com Dylan, com seus olhos verdes e cabelos louros. Usava uma blusa preta de manga longa, short jeans azul e botas de montaria. – Quem é a garota? – perguntou, abrindo um sorriso simpático.

– Leah Goldwyn – eu disse.

– Sou Claire Bulfinch – disse ela – Irmã de Dylan.

– Onde fica a diretoria? – perguntei.

– Daqui a dois corredores, virando a esquerda no último – disse Claire.

– Obrigada – disse, e caminhei até a diretoria, enquanto Claire e Dylan se dirigiam à sala de Artes.

Quando cheguei tive de esperar, porque o diretor conversava com um garoto, cuja estatura era alto, bem pálido, cabelos negros e olhos bem azuis.
Ele usava uma bandana sobre os cabelos escuros, blusa do Ramones, que acusava que as mangas haviam sido arrancadas, bermuda com alguns desfiados e coturnos. No estilo de um típico roqueiro rebelde.

– Se quiser ficar nesta escola, Sr. Stone, vai ter de parar de se meter em confusões e mostrar que vale a pena continuar aqui. – disse o diretor, o garoto cerrou um punho.

– Tanto faz – disse ele, parecia de dentes trincados.

– Está liberado – disse o diretor.

O garoto saiu da sala, com um papel em mãos.

Entrei logo depois e entreguei o papel ao diretor.

– Srta. Goldwyn, aqui estão os horários do 9ºC. Seja bem-vinda. – disse o diretor que soube ser Denis Stuttgart, parecia ter apenas vinte anos de idade, o que era estranho para um diretor.

– Obrigada – pronunciei, educadamente.

Caminhei até a sala de Matemática, onde teria minhas duas primeiras aulas. A maioria dos alunos já havia chegado, dentre eles estavam os Bulfinch e o garoto que conversara com o diretor Stuttgart.
Claire acenou, indicando para que eu me sentasse à carteira atrás dela, caminhei até lá e me sentei.

A Srta. Hannover entrou na sala.

Era uma senhora esquisita, usava um chapéu preto que tinha um véu por baixo, parecia vestida para um funeral, com um vestido longo também preto.

Só dava para ver metade de seu rosto, o que a tornava misteriosamente assustadora.

Olhei para Dylan, que estava na fileira ao lado, na última mesa. Ele batia os dedos frenéticamente sobre a mesa e olhava para os lados.

– Max Stone – chamou a professora, o garoto de olhos azuis e cabelos negros voltou-se para ela. – Sente-se aqui. – disse ela, indicando uma carteira vazia da primeira fileira, Max revirou os olhos e fez o que a professora disse. – Você ali, Sr. Bulfinch.

Dylan arrastou-se até a primeira mesa.

A Srta. Hannover olhou para mim e pude jurar que lambeu os beiços, como se me visse como uma saborosa refeição. Tentei não demonstrar desconforto e desviei o olhar.

– Srta. Goldwyn – chamou. Como, diabos, essa mulher sabe quem eu sou? – Seja bem-vinda.

Seu sorriso era maldoso e cheio de malícia, um sorriso que eu tinha quase certeza de que me atormentaria por noites.

Fiquei quieta.

– Essa mulher é sinistra – resmungou Claire, à minha frente.

A aula passou rápido... À quem estou querendo enganar? Estou falando de duas aulas de cálculos com uma professora sombria, cada minuto parecia uma eternidade.

Eu havia saído da sala, estava andando no corredor, tomando um suco de uva, quando três garotas se aproximaram.

Uma tinha cabelos curtos, cacheados e ruivos, tinha olhos castanhos e usava uma saia jeans azul, blusa do "One Direction" e sapatilhas vermelhas.

A outra tinha pele morena, olhos castanhos e cabelos lisos. Usava calça vermelho-escuro, camisa open shoulder preta um pouco transparente e ankle boots pretas.

A última era tinha ondas louras e olhos azuis, usava um short rosa, camiseta preta e saltos também pretos.

– Leah Goldwyn, não é? – quem se pronunciou foi a ruiva que estava entre a loura e a morena. – Sou Haley Downy, estas são Kathleen Frey e Ally Hazard.

Kathleen era a morena, a loura era Hannah.

– Ouvi falar muito dos Goldwyn. São aquela família esquisita de Santa Monica, né?

Fiquei quieta, olhando para meu suco.

– Bem que meus pais disseram... São o carma desse lugar. Não deviam deixar criaturas como você junto de outros jovens, sabe, prezo muito minha religião. Então, eu queria deixar um recado para você.

Olhei para a garota, com uma clara estampa de tédio em minha expressão, como se não tivesse ouvido nada do que falou.

– Não pense que não percebi o Max olhando para você a aula inteira, e isto não vai ficar assim. O Max é meu, está me entendendo? Não vai ser uma coisa como você que vai mudar minha imagem neste colégio.

Por que ela não diz isso pra ele? pensei.

Olhei para meu suco novamente. Uma pena, ele estava tão bom. Virei o copo sobre a cabeça de Haley, que deu um gritinho de indignação. Já haviam várias pessoas observando a cena, o que era uma droga, considerando que eu não era muito boa em lidar com pessoas.

– Minha blusa favorita! – choramingou. Permaneci com uma expressão de total tédio.

– Sobrou um pouco aqui, querem experimentar também? – eu perguntei à Hannah e Kathleen, minha voz também soou inexpressiva, demonstrando pura indiferença. As duas negaram rapidamente e correram em direção ao banheiro feminino, seguindo Haley.

Saí da rodinha de pessoas e encontrei Claire com um sorriso de aprovação no rosto.

Dylan apareceu logo depois, com um sorriso divertido no rosto.

– O que foi que ela te disse? – perguntou. Dei de ombros.

– Nada importante.

Caminhamos até o pátio, na hora do intervalo.




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Mensagem por Leah Goldwyn em Sex Dez 19, 2014 9:46 pm

II - Tony nocauteia uma enfermeira


A Berkeley Carroll fornecia diversas atividades extras, como teatro, beisebol, basquete, futebol, vôlei, natação, dança, música, artes e até recreativas com os alunos mais jovens. Haviam laboratórios, bibliotecas, um estúdio, salas de aula especializadas em temas diferentes, como culinária, uma sala de Ciências e uma biblioteca ampliada. No território da escola ainda cabia um ginásio e uma piscina de 75 pés.
Fiquei de companhia a Tony Hewson, um garoto de pele clara, cabelos ondulados e castanho-claros com uma parte coberta por um gorro vermelho, seus olhos eram azuis, ele usava calças jeans, tênis All Star, jaqueta jeans por cima de uma camisa polo cinza e muletas. Era bem bonito.
Estávamos na arquibancada, assistindo ao jogo de futebol.
Tyler Mitchell aproximou-se, um garoto que possuía cabelos lisos e castanhos cobertos por uma touca preta, olhos verdes e, assim como Tony, usava muletas. 
Eram um dos poucos que não faziam a atividade, por conta do problema físico, Claire estava ali também, assistia ao jogo que no momento era só dos meninos.
Percebi que Tony parecia apreensivo.
– Tudo bem, Tony? – perguntei. Ele assentiu rapidamente.
– É só que... Acho que devíamos leva-los à enfermaria, não? – disse ele.
Percebi do que ele estava falando quando olhei para o ginásio e notei Max e Dylan caídos no chão.
Tony, Claire, Tyler e eu descemos da arquibancada às pressas. Eu e Tyler ajudamos Max a se levantar e o levamos até a enfermaria.
Claire jogou Dylan em uma maca, ele sentou-se e pressionava a têmpora, com uma careta no rosto.
Já Max tinha um corte na boca, que sangrava um pouco.
O que me assustou foi que a enfermeira era bem parecida com a professora Hannover, tinha um sorriso maldoso e sua touca de enfermeira cobria todo o cabelo.
Primeiro ela cuidou de Dylan, depois se dirigiu à Max, só notei o que ela fazia quando Max urrou de dor, a enfermeira havia colocado álcool puro em seu machucado, pressionava com tanta força que o lábio de Max passou a sangrar mais.
– Você ficou louca? – exclamei, a enfermeira me olhou.
– É questão de tempo até parar de sangrar e... – começou ela, até que Tony bateu uma de suas muletas na cabeça dela, nocauteando-a.
– O que foi que você fez? – indagou Max, distorcidamente por conta da ferida no lábio. Todos, exceto por Tyler, o olhavam assustados.
– Nada demais, agora continuem isso aí – disse ele, como se não tivesse feito nada errado, parado perto do batente, como se estivesse de guarda.
Olhei para a enfermeira, que estava esparramada no chão, com uma marca roxa na testa, dei de ombros, com o canto da boca se elevando ivoluntáriamente, sim, ás vezes eu era um pouco sádica. Claire já cuidava dos machucados do irmão.
Respirei fundo e lavei as mãos em uma pia. Procurei por uma gaze ou pano nas gavetas da mesinha que tinha ao lado, mas não encontrei nada além de seringas e agulhas de injeção.
– Claire, tem alguma gaze por aí? – perguntei.
– Não sei. Pode dar uma olhada aí, Ty? – disse ela.
Tyler abriu um armário, pegou um pacote de gaze, apoiando-se em uma única muleta, e o estendeu para mim. Tirei uma gaze e a entreguei para Max, que a pressionou no corte do lábio.
O ajudei a lavar a ferida com água e sabão, depois ele pegou um cubo de gelo e tratou da ferida.
– Tudo bem aí? – perguntei à Dylan.
– Estou ótimo – disse ele.
– Então podemos ir. – disse Tony.
– E a enfermeira? – questionei.
– Vamos fazer o seguinte, Ty fica aqui esperando ela acordar, ok? – murmurou Tony.
– Eu? – berrou, literalmente falando, Tyler. – Foi você quem a nocauteou!
– Você faria o mesmo. – defendeu-se Tony – Vamos antes que ela acorde, vem você também, Tyler.
Saímos da enfermaria, sorrateiramente, e retornamos ao ginásio.
Já passava do horário de saída na escola, eu, Dylan, Claire e Max ficamos na sala de história até mais tarde, pois não havíamos conseguido terminar a lição.
Dylan e Max saíram primeiro que eu e Claire.
Quando saímos da sala, Max agarrou meu braço e começou a andar rapidamente pelo corredor.
Eu já ia protestar e lhe dar uns tapas, mas ouvi Dylan falar atrás de mim:
– Continua andando.
Ele estava com Claire, e praticamente a arrastava, tenso.
– O que foi que deu em vocês? – questionei.
– Hannover – disse Max.
– Vão dizer que estão com medo da Srta. Hannover? – indagou Claire – No máximo ela vai nos dar uma detenção...
– Realmente não creio que ela queira apenas nos dar uma detenção – disse Dylan.
Ouvi um som de saltos no corredor. Olhei pelo canto do olho e vi que era a própria, Srta. Hannover. Apenas alguns segundos depois, aproximaram-se Tony e Tyler, ofegantes, como se tivessem corrido muito até chegarem ali.
Andamos em silencio, Max havia afrouxado o aperto em meu braço, mas pude perceber seu nervosismo, e eu não estava muito diferente.
– Srta. Goldwyn? – chamou a professora. Eu ofeguei baixo e parei, todos pararam.
– Sim?
– Não está se esquecendo de algo? – sugeriu, sua voz não era nada amigável. Ela estendeu a mão em punho, acima de sua cabeça. Segurava um amuleto com formato de serpente.
O amuleto meu pai me dera de presente em meu primeiro aniversário, ele considerava um símbolo de poder soberano e proteção, apesar de, em suas crenças, existirem duas formas: Uadite, a boa, e Apófis, a má.
Estendi a mão para pegá-lo, mas a Srta. Hannover desviou a mão.
– Tsc tsc. Antes terão de passar por um sacrifício, jovens como vocês deveriam saber que, para tirar algo como isto de mulheres como eu, precisam de um sacrifício.
– Jovens como nós? Mulheres como você? O que tem o amuleto? – disse Claire.
A Srta. Hannover sorriu sombriamente, ainda mais feio do que na aula de matemática.
– Esquece isso – murmurou Tony.
Em sincronia, começamos a correr pelos corredores, em busca da saída da escola. Escutava o mesmo som de saltos batendo no chão, a Srta. Hannover não corria, mas de alguma forma sempre conseguia estar no mesmo lugar que nós, com toda a tranquilidade do mundo.
Senti me tropeçar em algo, especificamente no pé da Srta. Hannover, fui de encontro ao chão, sentei-me e me arrastei até prensar as costas na parede.
– Lia! – ouvi Tyler gritar.
A professora aproximou-se de mim e tocou meu rosto com seus dedos frios, arranhando minha bochecha que automaticamente começou a sangrar.
A Srta. Hannover inspirou o ar com expressão de prazer, suspirou depois disso.
– Nunca encontrei um que cheirasse tão bem. – e lambeu os beiços. Estava tão perto que eu havia praticamente colado as costas na parede.
Ela segurou uma mecha de meu cabelo por entre os dedos. Olhei feio para ela, me contendo para não lhe dar uns bons pontapés, se eu a irritasse, sabe-se lá o que ela faria comigo.
– Tão bonita, seria uma pena se...
Tony bateu uma de suas muletas na cabeça dela, fazendo-a desmaiar.
– Não vai durar muito tempo, vamos – disse Tyler.
Dylan me ajudou a me levantar e corremos para a saída da escola.
Quando chegamos à rua, as pessoas nos olhavam como se fôssemos loucos.
– Hã... Eu vou... Pra casa. – murmurei e comecei a andar rapidamente. Ouvi um som de muletas me seguindo, notei que era Tony. – Porque está me seguindo?
– Não vou deixar você voltar para casa sozinha. – disse ele, casualmente.
– Eu conheço o caminho e sei muito bem como chegar lá. Além disso, você não sabe onde fica minha casa. – eu disse. Tony ficou quieto. – Você sabe? – perguntei, parando de andar. Tony deu de ombros.
– Talvez.
Cheguei em casa bem rápido, à constar pelos sons de videogame, Joe já havia chegado.
– Tchau Tony – eu disse.
– Tchau Lia.
Entrei em casa e atirei minha mochila num canto. Joe estava esparramado no sofá, dormindo com o videogame ligado. Arranquei o controle do jogo de sua mão e o coloquei no lugar. Desliguei o videogame e a TV e fui até o andar de cima, mas antes tive de passar na frente da cozinha, onde vovó estava, ela ficava lá quando meu pai estava trabalhando.
– Quem era o garoto? – perguntou, curiosa.
– Um colega da escola, só isso. – respondi.
– Você parece assustada, e está pálida. – eu sempre estava pálida. – E o que é isso em sua bochecha? Ele te machucou?
Toquei minha bochecha e vi sangue na ponta dos dedos. Franzi o nariz.
– Hã... Não, não! Eu vou... Para o meu quarto. – murmurei rapidamente e subi para meu quarto.
Atirei me na cama e respirei fundo. Eu já havia tido muitos dias estranhos na minha vida, mas aquele superara todos.
Minha mão foi instintivamente ao meu colo, em busca do amuleto, mas ele não estava lá. O que encontrei foi um talismã de pentagrama.
De acordo com meu pai, o talismã minha mãe deixara para mim antes de me abandonar.
Alisei o pingente com a ponta dos dedos e suspirei. A verdade é que eu tinha grande rancor de minha mãe, seja ela quem for, por abandonar a mim e meu pai sem mais nem menos. Eu não tinha nenhuma memória de seu rosto ou sua voz... Nada. Nenhum indício.
Ouvi batidas no batente da porta.
Era Joe.
– Entra aí. – eu disse.
Joe entrou e deitou ao meu lado.
– Está pensando em sua mãe, não está? – perguntou, observando meu talismã.
– Talvez... Eu nem sei quem ela é, fica difícil pensar nela.
– Deve ser terrível. – disse ele.
– Muito.
– Eu só queria que eles parassem de esconder as coisas de nós. Nossos pais... Eu não fui para a Espanha porque sabia que meus pais não teriam um propósito claro e...
Sarah, irmã de Joe, que morava com vovó, entrou como um furacão no quarto.
– Vovó está chamando para almoçar. – disse.
Descemos as escadas e almoçamos enquanto Sarah falava sobre seu dia e nós fazíamos comentários.
Meu pai chegou à noite por volta das 21h30, que era até um horário cedo para o horário que costumava chegar.
Ele olhou para mim e a primeira coisa que disse foi:
– O que é isso em seu rosto?
– Nada. – respondi rapidamente, papai franziu a testa enquanto tomava um gole de café.
– Quer me dizer algo, querida? – perguntou, colocando sua xícara na mesa.
– Eu... – toquei meu amuleto.
– Quer que eu fale sobre sua mãe. – adivinhou papai, eu assenti. Papai suspirou. – Ela era uma mulher incrível, e você é tão parecida com ela, mas nós nunca deveríamos ter nos unido, era uma combinação errada.
– Então eu não deveria ter nascido. – conclui – Por que?
– É complicado, como se não falássemos o mesmo idioma, mas você, sem dúvidas, foi a melhor coisa que me aconteceu.
– Minha, hã, mãe... Por que ela nunca veio me ver? – perguntei, amargurada.
– Porque você tinha que aprender a viver sem ela, pois ela não seria presente, tinha muitas ocupações em mente. – disse papai.
– Ligasse pelo menos... – rosnei – Como é o nome dela?
– Eu... não lembro – mentiu papai, na cara deslavada – Acredite, ela sempre esteve mais presente em você do que imagina.
– Você vai continuar escondendo as coisas de mim – afirmei, e subi para meu quarto à passos pesados.
Vesti um pijama, peguei um livro na estante, "Os Portões de Roma" da série O Imperador.
Li por algumas horas e dormi.

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